A pele não sofre de Alzheimer, ela sempre se lembra de uma carícia ou uma cicatriz

Um grande equívoco cerca a sociedade: muitas pessoas acreditam que quem sofre de Alzheimer se desconecta do ‘mundo real’ e passa a viver em um mundo interior de fantasia e muito distante. Quando isso acontece, quem sofre da doença acaba não sendo quem deveria ser e perde seu ‘valor’, seus sentimentos e até mesmo a sua identidade.

Se, por ventura, nos colocarmos no lugar de quem tem algum tipo de demência, iremos perceber que a insistência dos outros é normal, pois não iremos saber expressar aquilo que sentimos, não conseguiríamos entender o que estão falando e até mesmo não reconhecer quem se aproxima.

Nestes últimos anos, a atenção e comunicação centradas no indivíduo voltaram com tudo, tratam-se de modelos terapêutico e de relacionamento que são considerados de grande importância ao redor de quem tem Alzheimer.

Em outras palavras, é preciso que tenhamos empatia com quem sofre deste mal, para que a sua identidade seja mantida e gere uma atitude que abrange todas essas alterações comportamentais que atingem o paciente.

Esses ‘exercícios’ são realizados para que assim seja proporcionado segurança e força, para que a pessoa com Alzheimer se sinta ‘em validade’ com os outros e consiga expressar o que sente, pois a dignidade de alguém só é restaurada através da expressão.

Princípios básicos do método de validação
– Aceite sem julgamentos (Carl Rogers);
– A pessoa tem que ser tratada como um único indivíduo (Abraham Maslow);
– Os sentimentos expressos pela primeira vez e depois reconhecidos e validados por um interlocutor confiável perderão intensidade. Quando ignorados ou negados, os sentimentos se tornam mais fortes. ” Um gato ignorado se transforma em tigre” ( Carl Jung );
– Todos nós somos preciosos, independentemente de nossas condições (Naomi Feil);
– Quando a memória recente falha, recupere o equilíbrio restaurando memórias antigas. Quando a visão falhar, vamos usar o olho do espírito para poder ver. Quando a audição vai embora, vamos ouvir os sons do passado (Wiler Penfield);

Um exemplo que vai esclarecer sua mente sobre isso é a nova animação da Disney-Pixar, ‘Coco’, que mostra como é que podemos trazer pessoas com Alzheimer novamente para o ‘mundo real’, sentindo na pele todos seus sentimentos. A música ‘Don’t Forget Me’ também dá um sabor a mais pra história, atingindo o nosso lado emocional.

Em 2000, Tomaino já disse: “é sempre surpreendente ver uma pessoa que está completamente fora de contato com o presente por causa de uma doença como a de Alzheimer, voltar à vida quando ouvem uma música familiar . A resposta da pessoa pode variar de uma mudança de posição a um movimento saltitante: do som à resposta verbal. Normalmente, há uma resposta, uma interação.

Muitas vezes, essas respostas aparentemente delirantes podem dizer muito sobre a preservação de uma pessoa e como as histórias pessoais ainda podem estar perfeitamente presentes na memória”.

Via: Pensador Contemporâneo.

About Rafael d'Avila

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Publicitário. 22 anos. Morador de São José dos Campos. Sempre curioso. Apaixonado por dinossauros, TV e filmes e séries de terror.