Isso é o que aconteceria com a Terra se um asteroide grande o suficiente destruísse a Lua.

Suspeitamos que teríamos problemas muito maiores do que simplesmente perder a Lua.

A Lua orbita ao redor da Terra com uma velocidade orbital média de 1.022 km/s (quilômetros por segundo) e possui uma massa de aproximadamente 73,4 quintilhões de toneladas (!) Sim, é um corpo celeste enorme. Para que a Terra perdesse a Lua para sempre, nosso satélite teria que, no mínimo, alcançar uma velocidade de escape suficiente para deixar a órbita terrestre, ou seja, superar 1.478 km/s. Assim, ela deixaria de orbitar nosso planeta à sua atual distância média, de 365 mil quilômetros. Vamos colocar alguns valores limites em um objeto que aceleraria a nossa Lua a essa velocidade incrível (5,3 milhões de quilômetros por hora!)

A maneira mais fácil de acelerar a Lua é atingir seu centro na mesma direção de escape durante seu perigeu, isto é, o período no qual nosso satélite se encontra mais próximo da Terra. No perigeu, a velocidade do satélite é maximizada, facilitando o trabalho de um asteroide moribundo.

Dada a chamada “conservação do momento linear”, o efeito da relatividade típico de objetos muito rápidos e o limite de velocidade definido pela velocidade da luz (nada viaja mais rápido do que ela), um bom chute de um objeto grande o suficiente para alterar a órbita lunar seria um projétil extremamente rápido e massivo, que se locomovesse à 90% da velocidade da luz (270 mil quilômetros por segundo!) e possuísse uma massa de 251 trilhões de toneladas. Se esse projétil acertasse a Lua em cheio, a tal velocidade e com tamanha massa, nossa Lua viraria uma gigantesca bola de fogo, devido a grande quantidade de energia acumulada no impacto.

O projétil seria um asteroide de 35km de diâmetro, isto é, quase três vezes maior do que aquele que extinguiu os dinossauros há 66 milhões de anos. Para efeito de comparação, o asteroide teria o mesmo tamanho que a lua Rosalind, de Urano. Se tal corpo pousasse na Terra, seu tamanho subiria acima do nível do mar, à estratosfera.

Apesar disso, o asteroide teria apenas uma fração do tamanho e massa da Lua (e ainda assim, pelo visto, seria mortal e extremamente destrutivo).

A energia cinética transmitida por esse corpo celeste seria colossal, sendo expressa em parte na aceleração da Lua rumo aos confins do sistema solar, deixando a Terra. Outra parte da energia gerada com o titânico impacto seria convertida em calor e radiação, em quantidades absurdas e que dificilmente até a nossa imaginação não conseguiria lidar. O impacto do asteroide com a superfície geraria mais energia do que toda a produção humana em séculos!

De repente, o satélite natural passaria a uma temperatura de 57 milhões de graus Celsius (um grande salto em relação aos -100 graus Celsius atuais), tornando-se, por alguns dias, mais quente do que o centro do Sol. A Lua inteira.

Mas e a Terra?

Nosso planeta seria banhado por uma incrível rajada de radiação advinda da superfície lunar, em todos os comprimentos de onda, incluindo raios gama, além de toneladas de rochas em brasa que destruiria cidades e nações inteiras, provenientes do grande impacto. A própria Lua se tornaria um oceano (ou sopa) de partículas elementares extremamente instáveis e de fácil desintegração devido a alta pressão e a radiação.

No breve momento que atingirem equilíbrio térmico antes de se desintegrarem, a transferência de calor da Lua para a Terra obedeceria à lei de Stefan-Boltzmann, isto é, a frequência de raios gama provenientes da área do satélite se equivaleria à área terrestre. Nosso planeta viraria um inferno literal, sendo banhado em trilhões de trilhões de Watts de radiação, nua e crua.

Para se ter uma ideia, a radiação proveniente do impacto do asteroide é 300 bilhões de vezes superior as emissões radiativas normais do Sol. A potência bruta emitida seria equivalente a cobrir a Terra com 0,86 MOLES da gigantesca Bomba Tsar soviética a cada segundo ou aproximadamente o suficiente para derrubar 1250 Bombas Tsar em cada milímetro quadrado do globo. A energia emitida no primeiro segundo seria uma fração apreciável da massa-energia da Terra e seria 100 bilhões de vezes maior que a energia cinética da órbita da Terra ao redor do Sol.

Em qualquer caso, a quantidade de energia absorvida pela Lua como parte dessa colisão faria com que ela, apesar de praticamente desintegrada, excedesse sua velocidade orbital e a energia de ligação gravitacional para com a Terra em várias ordens de magnitude – cinco, na verdade. Também é mais energia que a própria ligação gravitacional da Terra. Nosso satélite, com tal impacto, conseguiria se livrar ‘das amarras gravitacionais’ e sairia livre pelo espaço. Livre e pegando fogo, literalmente.

A energia cinética se dissiparia devagar, bem como o calor e a radiação. Apesar de hipotética, colisões entre corpos celestes são bastante reais sob um ponto de vista cósmico. Basta imaginar que estima-se haver 1 trilhão de galáxias no Universo Observável, cada qual, com dezenas de bilhões de estrelas, e centenas de bilhões de planetas. Autodestruição cosmos afora não é apenas algo natural, mas bastante comum. Em nossa Lua, até mesmo uma quantidade mínima de energia transferida pode ser cataclísmica.

Podemos constatar que é extremamente improvável que um asteroide à 90% da velocidade da luz se choque contra a Lua, forçando-a a deixar nossa vizinhança. Mas um asteroide mais massivo é bem plausível. Se cortarmos a velocidade do projétil de 90 para 10% da velocidade da luz, o corpo celeste teria que ter uma massa 27 vezes superior (seguindo o princípio da Teoria da Relatividade de Einstein).

Para tanto, algo dessa magnitude não seria um mero asteroide, mas um planeta inteiro. Isto é, para que a Lua seja expelida da vizinhança cósmica terrestre, um planeta teria que se chocar contra ela (já que um asteroide super rápido está fora de cogitação nessa situação). Assim, devido a sua enorme massa, o planeta intruso não precisaria ser consideravelmente rápido.

O problema é que, como se trata de dois objetos gigantescos (a nossa Lua e um planeta), provavelmente o impacto racharia nosso satélite ao meio. No final das contas, metade da Lua ainda ficaria orbitando a Terra, enquanto a outra metade teria sua carta de alforria cósmica emitida.

Se bem que, mais uma vez: é virtualmente impossível que um planeta ou qualquer outro corpo celeste grande o suficiente atinja a Lua. Além de facilmente detectáveis (poderíamos prever), eles estão muito distantes e com órbitas muito bem definidas para fazer mal a nós ou ao nosso querido satélite.

Durma bem, não temos com o que nos preocupar.
Apenas o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia, mas, calma, isso é assunto pra outro dia.

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About Gabriel Pietro

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Gabriel Pietro têm 19 anos, é Web Designer e Criador de Conteúdo do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.